WATCHMEN
Todo mundo sabe que não gosto muito de filme de super-herói (ainda se escreve assim? Meu Deus, livrai-me de toda e qualquer outra reforma ortográfica), mas este aqui foi tão badalado, tão cheio de recomendações e firulas que não tive como resistir. Assim, foi ao cinema numa quinta-feira à noite para me entreteter com pessoas cintilantes, heróis de caráter duvidoso e uma década de oitenta numa realidade alternativa tão pessimista quanto o triste (e ótimo) “Blade Runner”.
Gosto da estrutura do filme de modo a explicar a história de cada um dos personagens. Gosto também da abertura, que traça um panorama histórico-cultural dos Estados Unidos da década de 40 até o tempo em que o filme começa de verdade, quando Richard Nixon estaria em seu terceiro mandato (acho que isso serve meio que de consolo pelos 8 anos de Bush).
No fim das contas, gostei de tudo. A produção é mesmo muito bem realizada e tudo parece funcionar bem. Gosto até daquilo que mais foi objeto de crítica - a trilha sonora cafona e as situações meio kitch a que os personagens são submetidos. Tem até uma cena de amor onde se ouve o “Hallelujah” e que seria digna de figurar na sessão erótica do Telecine Action.
Filme de super-herói costumava acabar com alguém salvando a Terra e com a mocinha nos braços. Mas isso foi há muito tempo. Agora - e em Batman já era assim - a sensação geral é de desolamento e desesperança, mas não creio estarmos, de fato, muito longe daquilo. E sem Dr. Manhattan para botar um mínimo de ordem nas coisas.